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Choque Luminoso em Canários

Choque Luminoso em Canários
Descrição de um tratamento para esta "Doença"

Dr. Luiz Fernando da Rocha Dib


Introdução:

O denominado "choque luminoso" em canários ocorre, sobretudo, em pássaros alojados em canaris de pouca luminosidade. Portanto uma "doença" que atormenta a grande maioria dos criadores pois, em geral são adaptados locais nas respectivas residências para o desenvolvimento desta apaixonante criação, e não construídos locais próprios aos canários.
Ao longo dos anos, entretanto, embora o choque luminoso seja a causa de numerosas e sentidas perdas no diversos canaris, não existia um tratamento eficiente contra o mesmo. A experiência de vários criadores produziu atitudes paliativas de alguma eficiência apenas nos choques brandos, que serão apresentados a seguir. Este artigo tem por objectivo a descrição de um novo tratamento que deverá vir a ser bastante empregado, pois até o momento apresentou 100% de eficiência nos choques denominados graves, isto é, em choque que seriam fatais aos pássaros caso não fosse administrado o tratamento.

Ocorrência e Formas

O coque luminoso quando acontece, ocorre de forma imediata caso, ao transportar os pássaros, verifique-se uma marcante diferença de luminosidade de um ambiente para outro. Como exemplo, podemos citar casos que aconteceram após o transporte de canários, em geral feito em pequenas caixas do canaril para os locais de exposição dos diversos clubes e vice-versa.
Contudo, a sua maior incidência acontece quando os pássaros são levados para o banho de sol ou na sua volta para o alojamento. Situação que é muito agravada no período de cria, pelo maior tempo de permanência dos canários nos seus alojamentos de baixa luminosidade, portanto tornando-se mais sensíveis às mudanças.
O choque luminoso apresenta-se desde as formas mais brandas, portanto mais comuns, até as formas mais graves, em geral fatais.
As formas brandas apresentam os seguintes sintomas: piar rápido e contínuo, abertura do bico e grande diminuição da mobilidade do pássaro, que se posiciona no fundo da gaiola, demonstrando perda de equilíbrio para permanecer no poleiro.
As formas graves ou fatais, mais raras, representam a progressão das formas brandas de início dos choques, para quadros com os seguintes sintomas: crises convulsivas contínuas, movimentos rápidos e giratórios da cabeça, movimentos contínuos de uma asa e uma pata, perda de controle do controle motor das asas e patas. A intensidade e frequência desses sintomas ou levará o canário a uma invalidez permanente ou ao óbito imediato.
Os casos de invalidez levarão, também, os canários à morte, por falta de apetite e/ou dificuldades para uma alimentação conveniente, em um prazo de alguns dias até superior a um ano, como já verificamos no nosso canaril. Por outro lado, nos casos de óbito imediato, isto é, num período de poucas horas após o início do choque, observa-se a ocorrência de hemorragia, ou seja, a eliminação de sangue pelo bico do pássaro, talvez de origem pulmonar.

Tratamento das Formas Brandas

A experiência de vários grandes criadores indica que quanto mais precoce a ajuda ao canário em choque melhor. Para tanto, procuram evitar a fixação do pássaro no estado de choque, transportando-o para um local com luminosidade menos expressiva, molhando a sua cabeça, mexendo com o mesmo para alterar o centro de atenção do canário.
Ressalta-se que estas atitudes são paliativas e válidas somente para os choques luminosos brandos, nos quais existe uma recuperação rápida do pássaro.

Tratamento das Formas Graves

Considerando uma associação com tratamentos empregados em seres humanos, foi elaborado um tratamento experimental para as formas graves do choque luminoso.
Da mesma forma que as atitudes paliativas mencionadas anteriormente, o tratamento deve ser empregado ao notar-se as primeiras convulsões, sendo que consiste na aplicação de um benzodiasepinico, isto é, um calmante com diazepam, Válim, Lorax, Somalium, Lexotan, Nitrepaz, etc. nas suas formas de comprimidos ou injectáveis.
A nossa experiência indica como recomendável uma solução "caseira" constituída, por exemplo, de 1/4 de comprimido de 5 mg de qualquer dessas marcas, o qual maceramos em aproximadamente 10 ml de água destilada ou filtrada e aspiramos o líquido sobrenadante para uma seringa de insulina, facilmente adquirida em qualquer farmácia.
Esta solução será administrada por via oral, directamente no bico do pássaro, na razão de 3 a 5 unidades da seringa.
O efeito deste tratamento se faz notar após alguns minutos da sua administração, como a parada das convulsões. Como efeito colateral, extremamente benéfico por sinal, ocorre o adormecimento do pássaro.
Após esse período de sonolência, variável em função da dose ministrada do grau de gravidade do choque, bem como da resistência do canário, o mesmo retorna gradativamente a sua actividade normal completamente recuperado.

Conclusões
Verificamos, ao longo do último ano, resultados excelentes com o método descrito, obtendo 100% de sucesso nas ocorrências de formas graves de choque luminoso.
Esperamos que todos os criadores que venham a utilizar-se deste tratamento tenham igual êxito e propiciem um retorno das suas experiências para que possamos avaliar melhor método.

Texto extraído  da revista UCCC - 1998